Jackson Cionek
6 Views

Quando respirar muda o cérebro e a experiência do eu

Quando respirar muda o cérebro e a experiência do eu

CO₂, EEG, NIRS, DMN e o que acontece quando o Corpo-Território percebe o movimento que ele próprio produz

Nos últimos blogs descemos progressivamente para dentro de uma respiração.

Seguimos o ar.

Dividimos o ciclo respiratório.

Encontramos o CO₂.

Chegamos aos rins.

Agora precisamos retornar a uma pergunta maior:

o que acontece com aquilo que chamamos de “eu” quando modificamos profundamente a respiração?

Porque uma respiração pode mudar:

CO₂,

pH,

fluxo sanguíneo cerebral,

atividade cardíaca,

atividade elétrica cerebral,

interocepção,

tensão muscular,

atenção,

e aquilo que conseguimos perceber acontecendo conosco.

Em algumas práticas de respiração intensa, participantes também relatam mudanças na percepção do próprio corpo, do espaço e das fronteiras entre “eu” e mundo.

Mas precisamos começar pelo mais importante:

uma alteração da experiência consciente não nos permite concluir imediatamente qual mecanismo cerebral a produziu.

Consciência como movimento que se percebe ser

Na formulação da Consciência 5D da BrainLatam, temos utilizado uma síntese:

consciência é um movimento que se percebe ser dentro do metabolismo produzido.

Mas precisamos explicar o que significa “metabolismo” aqui.

Na bioquímica convencional, metabolismo se refere ao conjunto de reações químicas responsáveis pela transformação de matéria e energia no organismo.

Na linguagem conceitual BrainLatam, utilizamos metabolismo produzido em sentido ampliado: a totalidade dos movimentos materiais que um organismo vivo consegue produzir e sustentar.

Isso inclui:

reações químicas,

consumo de ATP,

gradientes iônicos,

atividade elétrica,

fluxo sanguíneo,

mudanças de oxigenação,

CO₂,

pressões,

tensões musculares,

postura,

movimento visceral,

movimento respiratório.

Não estamos propondo uma nova definição bioquímica de metabolismo.

Estamos usando uma linguagem integrativa para lembrar que aquilo que experimentamos conscientemente acontece dentro de um Corpo-Território materialmente em movimento.

O pesquisador brasileiro Alfredo Pereira Jr., em seu Monismo de Triplo Aspecto e no desenvolvimento recente da Qualiômica, coloca materialidade, informação e sentiência como aspectos necessários para pensar a experiência consciente e defende que os qualia precisam ser considerados a partir da experiência em primeira pessoa. (Acad Pub)

Antonio e Hanna Damasio, por outro caminho, propõem que sentimentos homeostáticos oferecem continuamente ao organismo uma referência sobre seu próprio estado de vida. A consciência, nessa perspectiva, não aparece separada da regulação corporal. (OUP Academic)

A aproximação não significa que Pereira Jr., Damasio e BrainLatam estejam dizendo exatamente a mesma coisa.

Mas todos nos permitem fazer uma pergunta:

quanto da experiência de ser depende de conseguir sentir as transformações do organismo que está sendo?

Respirar modifica esse movimento material

Respire normalmente.

Agora imagine acelerar e ampliar progressivamente cada ciclo.

A movimentação pulmonar aumenta.

A ventilação alveolar pode aumentar.

O CO₂ pode cair.

O pH pode subir.

Os vasos cerebrais podem contrair-se.

O fluxo de sangue no cérebro pode diminuir.

O coração muda sua dinâmica.

Músculos respiratórios trabalham de outra maneira.

E o organismo continua recebendo sinais sobre tudo isso.

Isso significa que uma técnica respiratória não atua simplesmente “na mente”.

Ela primeiro modifica um organismo material.

E esse organismo modificado é justamente aquele que continuará percebendo.

Respiração circular e holotrópica: quando CO₂ muda muito

Práticas como Holotropic Breathwork, Conscious-Connected Breathing e outras formas de high-ventilation breathwork geralmente utilizam respiração contínua, ampla e relativamente rápida, com pouca ou nenhuma pausa entre inspiração e expiração.

Um estudo publicado em 2025 acompanhou 61 praticantes durante sessões de respiração holotrópica e connected breathing.

Nos participantes que respiravam ativamente, o ETCO₂ médio durante a fase ativa caiu para aproximadamente 20 mmHg, e alguns indivíduos atingiram valores entre 10 e 20 mmHg.

Quanto menor o ETCO₂, maior tendia a ser a intensidade do estado alterado relatado. A correlação entre redução de CO₂ e profundidade da experiência foi significativa, mas não perfeita. Contexto, música, interação social e expectativa também participaram. (DOI)

Isso é fundamental.

A experiência não pode ser reduzida a:

CO₂ baixo = experiência mística.

Mas também não podemos discutir a experiência ignorando que o CO₂ caiu drasticamente.

Em 2026 vimos algo ainda mais impressionante

Um estudo publicado em agosto de 2026 colocou 30 praticantes experientes de high-ventilation breathwork dentro de um protocolo de ressonância magnética com arterial spin labeling e resting-state fMRI.

Durante a maior intensidade da prática, o fluxo sanguíneo global da substância cinzenta caiu em média:

45,5%.

Foi uma redução extraordinariamente grande.

Mas aqui aparece uma surpresa.

A intensidade subjetiva do estado alterado não se correlacionou com a magnitude da redução global de fluxo cerebral.

Ou seja:

menos sangue no cérebro não significou automaticamente experiência mais profunda.

Além disso, a conectividade da Default Mode Network não apresentou redução significativa no nível do grupo. (PubMed)

Isso derruba uma frase popular:

“breathwork desliga a DMN.”

Os dados atuais não permitem afirmar isso.

A DMN não é o botão do ego

A Default Mode Network reúne regiões que apresentam padrões coordenados de atividade e está envolvida em processos como:

autorrepresentação,

memória autobiográfica,

pensamento autorreferencial,

imaginação,

projeções sobre passado e futuro.

Estudos com psicodélicos frequentemente encontram redução da conectividade interna da DMN e mudanças em sua relação com outras redes. Algumas dessas alterações se associam a experiências descritas como ego dissolution. (OUP Academic)

Mas:

DMN não é igual a ego.

E:

reduzir conectividade da DMN não significa desligar o eu.

No estudo de breathwork de 2026, participantes que apresentaram maiores reduções individuais da conectividade da DMN também tenderam a relatar experiências mais intensas em uma análise exploratória.

Porém essa associação apareceu utilizando uma determinada estratégia de processamento — global signal regression — e desapareceu quando essa etapa analítica não foi utilizada. (PubMed)

Isso exige cautela.

Talvez a reorganização de redes participe da experiência.

Mas não podemos transformá-la num interruptor.

O cérebro elétrico também muda

EEG oferece outra janela.

Em um estudo publicado em 2024 com 20 participantes realizando connected breathing, os pesquisadores observaram alterações posteriores à sessão em diferentes bandas do EEG: redução de potência em componentes delta, theta e beta em determinadas regiões e aumento de gamma em praticantes experientes.

Os participantes também relataram mudanças de humor e estados não ordinários de consciência. (DOI)

Mas o estudo é pequeno.

E EEG não registra “o eu”.

Ele registra diferenças de potencial produzidas pela atividade elétrica coletiva de populações neurais.

Portanto:

EEG mudou

não significa automaticamente:

consciência expandiu.

Precisamos colocar a terceira pessoa e a primeira pessoa lado a lado.

A própria respiração já organiza ritmos cerebrais

Nem precisamos chegar ao breathwork intenso para encontrar cérebro e respiração interagindo.

O grupo do pesquisador brasileiro Adriano Tort, no Instituto do Cérebro da UFRN, vem mostrando como o ciclo respiratório pode coordenar oscilações neurais distribuídas.

Uma revisão publicada em 2025 descreve a respiração como um ritmo corporal capaz de organizar temporalmente atividade neural em várias regiões cerebrais.

Em trabalho também de 2025, Ana Dias, Adriano Tort e colaboradores mostraram, em modelo animal, que mudanças respiratórias durante estados semelhantes à ansiedade acompanham alterações na atividade de redes frontais. (neuro.ufrn.br)

Respiração nasal é particularmente interessante porque o fluxo de ar através das vias nasais fornece sinalização mecânica e olfatória capaz de participar dessa sincronização.

Mas isso também não significa:

nariz = consciência.

Significa que o cérebro está inserido num corpo ritmado.

E o que o NIRS enxergaria?

NIRS poderia parecer perfeito para acompanhar essas experiências.

Colocamos optodos sobre o córtex.

Observamos HbO e HbR.

A pessoa começa uma respiração intensa.

HbO muda.

Seria tentador dizer:

“olha, o cérebro mudou porque a consciência mudou.”

Mas o Blog 7 já nos preparou para evitar esse erro.

Se a respiração intensa reduziu CO₂:

CO₂ ↓
→ vasoconstrição cerebral
→ fluxo cerebral ↓
→ HbO/HbR podem mudar.

Portanto NIRS não está observando somente aquilo que os neurônios estão fazendo.

Está observando uma hemodinâmica profundamente atravessada pela respiração.

É justamente por isso que abordagens modernas de fNIRS defendem registrar simultaneamente fisiologia sistêmica para separar, tanto quanto possível, atividade neurovascular de alterações globais e extracerebrais.

Em nosso futuro experimento:

NIRS sem CO₂ será uma história incompleta.

Talvez o “eu” seja corporalmente mais maleável do que parece

O pesquisador chileno Diego Candia-Rivera e colaboradores propuseram em 2024 uma perspectiva de network physiology para a consciência corporal.

Em vez de procurar o “self” em uma única região cerebral, eles destacam as interações entre cérebro, coração, sinais viscerais e diferentes modalidades sensoriais.

A própria capacidade de distinguir:

mundo,
outro,
e eu

é descrita como maleável e profundamente relacionada à interocepção. (ScienceDirect)

O cientista chileno Camilo Miguel Signorelli, juntamente com pesquisadores como o argentino Enzo Tagliazucchi, também vem defendendo modelos nos quais consciência precisa ser investigada através de interações dinâmicas cérebro-corpo, e não reduzida a uma única assinatura neural. (ScienceDirect)

Isso aproxima a literatura contemporânea de uma pergunta BrainLatam:

se mudarmos profundamente os movimentos materiais utilizados pelo organismo para representar a si mesmo, a fronteira percebida desse “eu” também pode mudar?

Jiwasa não é uma rede cerebral

Aqui Jiwasa começa a aparecer.

Mas com cuidado.

Em aimara, jiwasa expressa um “nós” inclusivo, que envolve aquele que fala e aquele que escuta. Trabalhos latino-americanos recentes continuam discutindo essa estrutura linguística como uma forma relacional distinta da simples soma de indivíduos isolados. (SciELO México)

Não diremos:

Jiwasa = DMN reduzida.

Nem:

Jiwasa = ego dissolution.

Isso seria transformar um conceito situado numa variável neurocientífica ocidental.

Usamos Jiwasa como pergunta fenomenológica:

quando a fronteira rígida do “eu” perde temporariamente prioridade, o que passa a ser percebido como pertencente à experiência?

Talvez apenas mais corpo.

Talvez outra pessoa.

Talvez música.

Talvez ambiente.

Talvez território.

Talvez nada disso.

Precisamos perguntar à pessoa.

Um movimento que percebe estar acontecendo

Voltamos então à Consciência 5D.

Durante uma respiração circular intensa podem estar mudando simultaneamente:

CO₂,

pH,

fluxo cerebral,

atividade elétrica,

frequência cardíaca,

pressão,

tensões musculares,

movimentos viscerais,

gradientes químicos,

memórias recrutadas,

atenção,

representação corporal.

Tudo isso constitui movimento material no Corpo-Território.

Parte dele permanece subperceptiva.

Parte ganha qualia.

E aquilo que ganha qualia pode modificar aquilo que a pessoa reconhece temporariamente como:

“eu”.

Na hipótese BrainLatam:

consciência não é um espectador separado observando o metabolismo. É movimento material produzido pelo Corpo-Território que, em determinadas configurações, consegue perceber-se sendo.

Não afirmamos que isso esteja demonstrado.

É nossa hipótese de trabalho.

E ela produz uma pergunta experimental bastante concreta:

quando uma respiração modifica o metabolismo produzido, quais movimentos mudam primeiro — CO₂, fluxo, EEG, NIRS, coração — e quais dessas mudanças chegam à percepção em primeira pessoa?

Talvez seja aí que possamos começar a estudar não apenas o cérebro durante uma respiração.

Mas como um Corpo-Território modifica temporariamente a maneira pela qual percebe ser ele mesmo.

Referências principais

PEREIRA JR., A. (2024). Qualiomics: The Metaphysics of Consciousness. Forum for Philosophical Studies, 1(1), 489.
O pesquisador brasileiro Alfredo Pereira Jr. desenvolve a Qualiômica a partir do Monismo de Triplo Aspecto e coloca qualia e experiência em primeira pessoa como dimensões que não podem ser reduzidas à descrição quantitativa de processos físicos. (Acad Pub)

DAMASIO, A.; DAMASIO, H. (2022). Homeostatic feelings and the biology of consciousness. Brain, 145(7), 2231–2235.
Propõe que sentimentos homeostáticos oferecem continuamente ao organismo informação sobre seu próprio estado de vida, aproximando consciência, interocepção e regulação corporal. (OUP Academic)

SIGNORELLI, C. M.; DÍAZ BOILS, J.; TAGLIAZUCCHI, E.; JARRAYA, B.; DECO, G. (2022). From brain-body function to conscious interactions. Neuroscience & Biobehavioral Reviews, 141, 104833.
Com participação dos pesquisadores latino-americanos Camilo Signorelli e Enzo Tagliazucchi, propõe investigar consciência por meio de interações multilayer cérebro-corpo, evitando reduzi-la a um único circuito neural. (ScienceDirect)

CANDIA-RIVERA, D.; ENGELEN, T.; BABO-REBELO, M.; SALAMONE, P. C. (2024). Interoception, network physiology and the emergence of bodily self-awareness. Neuroscience & Biobehavioral Reviews, 165, 105864.
O pesquisador chileno Diego Candia-Rivera integra interocepção e fisiologia de redes para mostrar que a consciência corporal emerge de relações dinâmicas entre cérebro e sinais fisiológicos distribuídos. (ScienceDirect)

DIAS, A. L. A.; DRIESKENS, D.; BELO, J. A.; DUARTE, E. H.; LAPLAGNE, D. A.; TORT, A. B. L. (2025). Breathing Modulates Network Activity in Frontal Brain Regions during Anxiety. Journal of Neuroscience, 45(2).
Pesquisa do Instituto do Cérebro da UFRN mostra que mudanças respiratórias acompanham reorganizações de atividade em redes frontais durante estados semelhantes à ansiedade, reforçando a respiração como ritmo participante da dinâmica cerebral. (neuro.ufrn.br)

TORT, A. B. L.; LAPLAGNE, D. A.; DRAGUHN, A.; GONZALEZ, J. (2025). Global coordination of brain activity by the breathing cycle. Nature Reviews Neuroscience, 26, 333–353.
Revisa como o ciclo respiratório pode sincronizar atividade neural em múltiplas regiões, oferecendo forte base contemporânea, com protagonismo brasileiro, para estudar acoplamento respiração-cérebro.

HAVENITH, M. N. et al. (2025). Decreased CO₂ saturation during circular breathwork supports emergence of altered states of consciousness. Communications Psychology, 3, 59.
Mostra que respiração holotrópica e connected breathing podem produzir hipocapnia intensa e que menores valores de ETCO₂ se associam à maior profundidade de estados alterados, sem demonstrar que CO₂ sozinho explique a experiência. (DOI)

KARTAR, A. A. et al. (2025). Neurobiological substrates of altered states of consciousness induced by high ventilation breathwork accompanied by music. PLOS ONE, 20(8), e0329411.
Relaciona a intensidade de estados alterados induzidos por high-ventilation breathwork a ativação cardiovascular simpática e alterações regionais de perfusão envolvendo ínsula/opérculo e amígdala/hipocampo. (DOI)

SCHMITZ, C. N. et al. (2026). How high ventilation breathwork alters consciousness: Hypoperfusion, network dynamics, and subjective experience. Progress in Neuro-Psychopharmacology and Biological Psychiatry, 149, 111873.
Mostra redução média de 45,5% do fluxo sanguíneo global da substância cinzenta durante high-ventilation breathwork e, crucialmente, ausência de redução significativa da conectividade da DMN no nível do grupo, contrariando a simplificação de que breathwork simplesmente “desliga a DMN”. (PubMed)

BAHI, C. et al. (2024). Effects of conscious connected breathing on cortical brain activity, mood and state of consciousness in healthy adults. Current Psychology, 43, 10578–10589.
Pequeno estudo com EEG mostra que connected breathing pode ser seguido por mudanças espectrais na atividade cerebral e alterações subjetivas, fornecendo evidência inicial sem permitir associar uma banda específica a um estado de consciência determinado. (DOI)

GATTUSO, J. J. et al. (2023). Default Mode Network Modulation by Psychedelics: A Systematic Review. International Journal of Neuropsychopharmacology, 26(3), 155–188.
Mostra que psicodélicos frequentemente modulam a conectividade da DMN e que algumas alterações se associam à dissolução do ego, mas também evidencia que o papel causal e exclusivo da DMN na experiência consciente permanece incerto. (OUP Academic)

SULCA QUISPE, R. et al. (2025). Discussões contemporâneas sobre linguagem e ontologia aimara em Perfiles Educativos.
Apresenta jiwasa dentro da estrutura relacional da língua aimara como forma inclusiva de “nós”, oferecendo base para utilizá-lo como pergunta de pertencimento sem transformá-lo em categoria neurobiológica. (SciELO México)

A frase-âncora que eu manteria para este Blog 9 é: “Quando mudamos profundamente a respiração, não modificamos apenas aquilo que o cérebro recebe; modificamos materialmente o Corpo-Território que continuará dizendo ‘eu’.”







#eegmicrostates #neurogliainteractions #eegmicrostates #eegnirsapplications #physiologyandbehavior #neurophilosophy #translationalneuroscience #bienestarwellnessbemestar #neuropolitics #sentienceconsciousness #metacognitionmindsetpremeditation #culturalneuroscience #agingmaturityinnocence #affectivecomputing #languageprocessing #humanking #fruición #wellbeing #neurophilosophy #neurorights #neuropolitics #neuroeconomics #neuromarketing #translationalneuroscience #religare #physiologyandbehavior #skill-implicit-learning #semiotics #encodingofwords #metacognitionmindsetpremeditation #affectivecomputing #meaning #semioticsofaction #mineraçãodedados #soberanianational #mercenáriosdamonetização
Author image

Jackson Cionek

New perspectives in translational control: from neurodegenerative diseases to glioblastoma | Brain States