Jackson Cionek
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Deepfakes, Signos e Qualia

Deepfakes, Signos e Qualia

Se a imagem é falsa, por que aquilo que sentimos pode ser verdadeiro?

Uma palavra aparece na tela:

FALSO.

Durante alguns instantes, nada mais acontece.

Mas o Corpo-Território já não é exatamente aquele que existia antes da palavra.

Pode haver alteração de atenção, recrutamento de memórias, atividade sináptica, mudanças autonômicas, pequenas modificações na respiração, no coração, na tensão muscular, no fluxo sanguíneo ou em outras dinâmicas fisiológicas. Algumas chegarão à experiência consciente. Muitas não.

Então aparece a fotografia de uma pessoa sorrindo.

O sorriso não encontra o Corpo-Território anterior à palavra FALSO.

Encontra um Corpo-Território que já viveu aquele primeiro encontro.

Depois, se a palavra FALSO aparecer novamente, ela encontrará outro Corpo-Território — aquele que agora também passou pelo sorriso.

Podemos escrever:

Corpo-Território₀ + FALSO → Corpo-Território₁

Corpo-Território₁ + sorriso → Corpo-Território₂

Corpo-Território₂ + FALSO → Corpo-Território₃

Os pixels de FALSO podem ser rigorosamente os mesmos nas duas apresentações.

O encontro não é.

O mesmo estímulo pode ser repetido. O mesmo encontro, não.

Essa diferença é central para compreender deepfakes, signos e Qualia — e também para compreender o que estamos chamando de Materialidade 5D da Consciência — Corpo-Território.

Um rosto pode permanecer igual enquanto seu significado muda

Em 2023, Anna Eiserbeck e colaboradores realizaram um experimento particularmente interessante.

Os participantes viam rostos acompanhados previamente pelas palavras REAL ou FAKE. Mas havia um detalhe decisivo: todas as imagens eram fotografias de pessoas reais. Nenhum rosto artificial havia sido incluído. A manipulação experimental estava na crença sobre a origem da imagem, não em diferenças físicas entre um rosto real e um deepfake. (Nature)

Os rostos classificados como falsos não produziram exatamente a mesma experiência.

Em particular, sorrisos apresentados como falsos foram avaliados como menos positivos e exigiram respostas mais lentas. No EEG, diferenças normalmente encontradas entre expressões felizes e neutras nos componentes P1, N170 e EPN apareceram quando os rostos eram considerados reais, mas foram reduzidas ou ausentes quando eram apresentados como deepfakes. A LPP também apresentou dinâmica distinta. Os próprios autores, porém, destacam limitações: as interações eletrofisiológicas não foram significativas em todos os testes e o padrão dependia da valência emocional. (Nature)

Portanto, não devemos transformar o estudo em uma afirmação simples de que “a palavra FAKE causa um efeito de priming geral”. Aliás, os autores argumentam que o padrão dependente da emoção vai contra uma explicação exclusivamente baseada em priming genérico. (Nature)

O resultado é mais interessante:

O sorriso físico permaneceu o mesmo. Mas aquilo que o sorriso conseguiu significar para o Corpo-Território pôde mudar.

O encontro começa antes da imagem

Nos textos anteriores introduzimos o conceito de pré-ativação.

Aqui ele precisa ser compreendido dentro de uma estrutura maior.

Quando aparece a palavra FALSO, não estamos dizendo que uma entidade abstrata chamada “conceito de falsidade” simplesmente fica esperando em algum compartimento mental.

O signo anterior encontra um organismo vivo.

Aquele encontro tem materialidade.

Pode recrutar redes neurais, memórias, respostas autonômicas, estados interoceptivos e proprioceptivos. Pode alterar a configuração fisiológica que encontrará o estímulo seguinte.

Portanto:

O encontro seguinte encontra a materialidade que o encontro anterior já ajudou a configurar.

É nesse sentido que podemos dizer:

O encontro com a imagem pode começar antes da imagem.

Não porque o futuro já tenha acontecido.

Mas porque o presente que receberá esse futuro está continuamente sendo produzido.

O Corpo-Território já estava acontecendo

Essa formulação nos aproxima da linha desenvolvida por Antonio Damasio e Gil Carvalho sobre interocepção e sentimentos homeostáticos.

Para eles, sentimentos representam estados corporais enquanto o organismo passa por regulação homeostática. A interocepção envolve continuamente sinais neurais e humorais provenientes do interior do organismo — incluindo vísceras e moléculas circulantes — e não apenas informações vindas do mundo exterior. (PubMed)

Assim, quando a palavra FALSO aparece, ela não encontra apenas:

“um cérebro olhando uma tela”.

Encontra fome ou saciedade.

Dor ou conforto.

Sono ou privação de sono.

Respiração.

Batimento cardíaco.

Posição corporal.

Temperatura.

Memórias recrutáveis.

História social.

Expectativas.

E tudo aquilo que, naquele instante, constitui materialmente aquele organismo.

O mundo chega a um Corpo-Território que já estava acontecendo.

Materialidade 5D: antes do Qualia existe um Corpo-Território material

É aqui que precisamos deixar explícito o conceito BrainLatam.

Na Materialidade 5D da Consciência — Corpo-Território, as três primeiras dimensões não representam um “espaço mental abstrato”.

Elas dizem respeito à materialidade espacial da experiência.

Uma percepção visual.

Um sinal interoceptivo.

Uma informação proprioceptiva.

Uma memória recrutada.

Uma palavra.

Uma imagem imaginada.

Para participar da experiência, tudo isso precisa acontecer no presente como uma configuração material do Corpo-Território.

Isso pode envolver, conforme o fenômeno e a escala observada:

atividade sináptica, redes neuronais e gliais, gradientes iônicos, circulação sanguínea, metabolismo, atividade cardíaca, respiração, tensão muscular e outras transformações do organismo.

A árvore lembrada não está literalmente dentro do cérebro.

Mas lembrar da árvore acontece materialmente agora.

A origem da representação pode estar ausente. Sua instanciação no Corpo-Território precisa estar presente.

Do átomo ao comportamento: o Monismo de Triplo Aspecto

É aqui que Alfredo Pereira Jr. oferece uma ponte ontológica particularmente importante.

No Monismo de Triplo Aspecto, Pereira Jr. propõe três aspectos necessários da experiência consciente: Matéria, Informação e Sentiência, derivados de uma base neutra denominada Energia. Em sua formulação multiescalar de 2025, Matéria corresponde à energia condensada em partículas; Informação, à distribuição diferencial de energia no espaço; e Sentiência, à capacidade de sentir, relacionada por ele a padrões energéticos temporais em sistemas vivos. (Neural Press)

Isso permite à BrainLatam construir uma extensão multiescalar sem reduzir consciência a disparos neuronais:

energia → matéria → forma/informação → organização biológica → sentiência

e, nos sistemas vivos:

átomos → moléculas → proteínas → células → tecidos → órgãos → redes neurogliais → corpo → comportamento → relação → território.

Não significa que todos esses níveis precisem ser medidos em cada experimento.

Significa que:

o recorte experimental pode escolher uma escala; o Corpo-Território continua acontecendo nas outras.

Pereira Jr. também propôs um modelo exploratório de ondas hidroiônicas astrogliais, envolvendo cálcio, outros íons, água, proteínas e matriz extracelular na modulação neuroglial. A hipótese é exploratória e não deve ser tratada como mecanismo estabelecido da consciência, mas é importante por mostrar uma concepção na qual água, íons, proteínas e matriz não são mero cenário passivo da atividade neural. (Sage Journals)

A extensão BrainLatam pode ir ainda mais abaixo na escala: expressão do DNA modifica a produção de proteínas; proteínas constituem canais, receptores, transportadores, enzimas, elementos estruturais e matriz; isso participa de gradientes iônicos, osmóticos, movimentos de água, metabolismo e dinâmica celular.

Não estamos atribuindo essa sequência específica a Pereira Jr.

Estamos usando sua ontologia para lembrar que:

Informação não precisa flutuar acima da matéria. Nos organismos vivos, diferenças informacionais podem reorganizar a própria materialidade.

Movimento: cada encontro produz o Corpo-Território seguinte

A quarta dimensão da Materialidade 5D é Movimento.

Não apenas o passar abstrato do tempo.

Movimento é a transformação:

CT₀ → CT₁ → CT₂ → CT₃...

Uma configuração é recrutada.

Outra diminui.

Uma memória reaparece.

A respiração muda.

A atenção se desloca.

Uma representação associa-se a outra.

Um processo é inibido.

Outro ganha força.

Algumas alterações desaparecem rapidamente devido à regulação homeostática.

Outras podem persistir por segundos, horas, anos.

E muitas podem ser pequenas demais para o instrumento usado naquele experimento.

Mas:

“desprezível para o experimento” não significa “inexistente no Corpo-Território”.

Um EEG pode não detectar uma diferença.

Um questionário pode não encontrá-la.

Uma comparação estatística pode considerá-la irrelevante.

Isso significa apenas que aquela diferença não se demonstrou relevante na variável escolhida, naquele desenho, naquela resolução, naquela amostra.

Não que Corpo-Território₂ seja literalmente idêntico a Corpo-Território₀.

Então chegamos ao Qualia

Na Materialidade 5D, Qualia é a quinta dimensão.

Não aparece apenas como resposta verbal posterior:

“gostei”.

“senti medo”.

“pareceu estranho”.

Qualia é o colorido da experiência.

É aquilo que ressalta.

Que brilha.

Que pesa.

Que pulsa.

Que ameaça.

Que acolhe.

Que se torna familiar.

Que ganha urgência.

Qualia é aquilo que faz uma configuração material em Movimento importar daquele modo para aquele Corpo-Território.

Pereira Jr. também trata os qualia como experiências qualitativas de primeira pessoa e distingue a investigação científica de padrões objetivos do acesso singular à experiência sentida. (ANPOF)

Aqui surge a ligação decisiva com o deepfake:

O signo pode permanecer fisicamente igual enquanto muda aquilo que nele pulsa.

Um sorriso pode continuar sorrindo.

Mas deixar de brilhar como proximidade e passar a pulsar como artificialidade, suspeita ou estranheza.

A imagem pode ser artificial. O Qualia não é “falso” por isso

Em 2026, Alice Mado Proverbio e Mariia Dosaikina compararam rostos humanos reais e rostos hiper-realistas produzidos por IA. Os participantes tinham dificuldade em distinguir as categorias, enquanto o EEG mostrou modulações envolvendo N170, N250, P300, PN400 e positividade tardia. O estudo incluiu 30 participantes e não autoriza falar em um “detector cerebral de IA”, mas mostra que indistinguibilidade comportamental e processamento eletrofisiológico não precisam ser equivalentes. (Nature)

Outro estudo, em 2024, mostrou que os mesmos tipos de rostos sintéticos recebiam avaliações menores de atratividade quando os participantes acreditavam que haviam sido produzidos por IA; essa crença também modulava sinais de fMRI no córtex fusiforme. (DOI)

Então precisamos separar duas realidades:

a origem do signo

e

a realidade da experiência produzida no encontro.

Uma pessoa sintética pode nunca ter existido.

Mas a alteração respiratória existe.

A tensão existe.

A atividade cerebral existe.

O afeto existe.

O Qualia acontece.

A falsidade pode pertencer ao signo. O sentir pertence ao encontro.

Mas qual humanidade a IA aprendeu a tornar “real”?

A questão se torna decolonial quando perguntamos quem participa da definição estatística de um rosto “normal”, “realista” ou “humano”.

Em 2023, Miller e colaboradores mostraram um fenômeno denominado AI hyperrealism: rostos brancos produzidos por IA eram classificados como humanos com maior frequência que rostos brancos reais. Os autores relacionam esse resultado, entre outros fatores, à representação desproporcional de rostos brancos nos dados utilizados por sistemas generativos e deixam claro que o efeito não foi equivalente para faces não brancas. (Association for Psychological Science)

Pesquisadoras brasileiras, Juliana de Assis e Maria Aparecida Moura, analisaram em 2025 imagens de ferramentas generativas a partir de uma perspectiva semiótica e racial, identificando padrões de representação e baixa diversidade em determinadas categorias. (SciELO)

Outro estudo de 2025 encontrou estereótipos raciais e de gênero e homogeneização de grupos em imagens produzidas por Stable Diffusion; em um experimento preregistrado, exposições a conjuntos inclusivos ou não inclusivos também se associaram a diferenças posteriores em medidas de vieses. (Nature)

Portanto:

Quando perguntamos se um rosto artificial parece “real”, precisamos perguntar também qual parte da humanidade foi mais utilizada para ensinar a máquina a representar o real.

Pergunta NeuroDesafio LATAM

Como patrocinadora do NeuroDesafio LATAM, a BrainLatam propõe:

Quando um mesmo estímulo é apresentado como humano ou artificial, como mudam a materialidade em Movimento do Corpo-Território e o Qualia atribuído à experiência?

Um experimento latino-americano poderia cruzar:

origem efetiva: humano × IA;

crença apresentada: humano × IA × incerto.

EEG poderia acompanhar P1, N170, EPN, N250, P300/PN400 e LPP, sem transformar nenhum deles em “medidor de Qualia”.

fNIRS poderia acompanhar mudanças hemodinâmicas corticais durante avaliações mais prolongadas.

Mas o desenho 5D deveria ir além do cérebro.

Respiração.

ECG.

atividade eletrodérmica.

eventualmente movimento e tensão muscular.

relato em primeira pessoa.

E contexto cultural.

Porque:

EEG e fNIRS são janelas para partes da materialidade e do Movimento. Não são o próprio Corpo-Território e não medem diretamente o Qualia.

A pergunta final talvez seja ainda mais importante:

Quando o rótulo “FALSO” modifica aquilo que um sorriso faz pulsar em nós, em que momento exatamente começou a mudança: na palavra, no rosto, na memória recrutada, no coração, na respiração, na rede neural — ou na relação multiescalar entre tudo isso?

Talvez esse seja justamente o erro dos ótimos locais disciplinares: procurar a consciência somente onde nosso instrumento consegue iluminar.

A Materialidade 5D propõe outra direção:

O instrumento escolhe uma janela. O Corpo-Território continua acontecendo além dela.

Uma tela transduz o recorte.

O encontro materializa novamente esse recorte no Corpo-Território.

Essa materialidade entra em Movimento.

E algo nela pode ganhar Qualia.

Pode brilhar.

Pode pesar.

Pode pulsar.

Uma imagem pode ser falsa. Mas o Corpo-Território que a encontrou tornou-se materialmente parte da história daquele encontro.


Referências comentadas

Eiserbeck, A.; Maier, M.; Baum, J.; Abdel Rahman, R. (2023). “Deepfake smiles matter less—the psychological and neural impact of presumed AI-generated faces”. Scientific Reports, 13, 16111.
É a principal evidência experimental do texto. Todos os rostos eram reais, mas metade era rotulada como “FAKE”. Sorrisos presumidamente falsos tiveram menor impacto comportamental e diferenças em análises de P1, N170, EPN e LPP. Os próprios autores destacam limitações e argumentam contra uma explicação genérica apenas por priming, algo fundamental para nossa interpretação cuidadosa do estudo. (Nature)

Proverbio, A. M.; Dosaikina, M. (2026). “Neural signatures of hyper-realistic AI-generated faces: dissociating behavioral indistinguishability from implicit neural evaluation”. Scientific Reports, 16, 22944.
Encontrou modulações em N170, N250, P300, PN400 e positividade tardia diante de rostos hiper-realistas de IA, mesmo com dificuldade comportamental de discriminação. Sustenta nossa separação entre o que o participante consegue declarar e a dinâmica fisiológica que acompanha o encontro. (Nature)

Nishida, S. (2024). “Behavioral and neural evidence for the underestimated attractiveness of faces synthesized using an artificial neural network”. Computers in Human Behavior: Artificial Humans, 2(2), 100104.
Participantes avaliaram faces como menos atraentes quando acreditavam que eram sintéticas, apesar do controle da aparência, e a crença modulou responsividade no córtex fusiforme. Reforça que a informação sobre a origem participa da experiência produzida pelo signo. (DOI)

Carvalho, G. B.; Damasio, A. (2021). “Interoception and the origin of feelings: A new synthesis”. BioEssays, 43(6), e2000261.
Trata sentimentos como eventos conscientes relacionados a estados corporais sob regulação homeostática e enfatiza a interação entre sistemas neurais e componentes não neurais do organismo. É a ponte para nossa formulação de que o estímulo externo sempre encontra um Corpo-Território fisiologicamente já em curso. (PubMed)

Damasio, A. (2021). Feeling & Knowing: Making Minds Conscious.
Desenvolve a relação entre vida, homeostase, sentimento, conhecimento e consciência. Para a Materialidade 5D, ajuda a impedir que a consciência seja tratada como algo que começa apenas quando um estímulo externo chega ao cérebro. (Penguin Random House)

Pereira Jr., A. (2023). “Introdução à Metafísica do Monismo de Triplo Aspecto”. ANPOF.
Apresenta Matéria, padrões dinâmicos de Informação e Sentiência como aspectos conjuntamente necessários da experiência consciente e relaciona primeira e terceira pessoa. Oferece a base filosófica para não reduzir Qualia a um marcador eletrofisiológico. (ANPOF)

Pereira Jr., A. (2025). “The interdisciplinary ontology of consciousness in multiscale neuroscience”. Journal of Multiscale Neuroscience, 4(4), 276–293.
Explicita o Monismo de Triplo Aspecto em uma ontologia multiescalar: Energia como base e Matéria, Informação e Sentiência como aspectos fundamentais. É a ponte ontológica utilizada pela BrainLatam para pensar a continuidade entre escalas sem escolher o neurônio como único nível legítimo de descrição. (Neural Press)

Pereira Jr., A. (2017). “Astroglial hydro-ionic waves guided by the extracellular matrix: An exploratory model”. Journal of Integrative Neuroscience, 16(1), 57–72.
Propõe exploratoriamente interações entre ondas de cálcio, água, íons, proteínas, matriz extracelular e atividade neuronal. Não é apresentado aqui como mecanismo comprovado da consciência, mas como uma tentativa brasileira relevante de pensar a neurobiologia para além de uma descrição exclusivamente neuronal-elétrica. (Sage Journals)

Miller, E. J. et al. (2023). “AI Hyperrealism: Why AI Faces Are Perceived as More Real Than Human Ones”. Psychological Science, 34(12), 1390–1403.
Mostra que rostos brancos produzidos por IA podiam ser julgados humanos com frequência maior que rostos brancos reais, fenômeno não generalizado de modo equivalente a outros grupos. Torna a pergunta sobre “realismo” inseparável da composição dos dados usados pela IA. (Association for Psychological Science)

Assis, J.; Moura, M. A. (2025). “Semioses algorítmicas e viés racial: um estudo de imagens criadas pela IA generativa”.
Trabalho brasileiro que analisa representações generativas por uma abordagem semiótica e racial. Para uma Neurociência Decolonial, ajuda a deslocar a pergunta de “a IA consegue produzir um rosto realista?” para “quais corpos e repertórios participaram da construção algorítmica do que chamamos de real?” (SciELO)

AlDahoul, N.; Rahwan, T.; Zaki, Y. (2025). “AI-generated faces influence gender stereotypes and racial homogenization”. Scientific Reports, 15, 14449.
Documenta estereótipos e homogeneização racial em imagens generativas e mostra experimentalmente que diferentes conjuntos de representações podem se relacionar a mudanças posteriores em medidas de viés. Reforça a hipótese de que uma imagem não termina no momento em que é vista: ela participa das condições em que os próximos signos serão encontrados. (Nature)

BrainLatam — Materialidade 5D da Consciência — Corpo-Território.
Este texto consolida quatro proposições da série: “O mesmo estímulo pode ser repetido. O mesmo encontro, não”; “O mundo chega a um Corpo-Território que já estava acontecendo”; “Movimento é a história material do Corpo-Território acontecendo”; e “Qualia é o colorido da experiência — aquilo que ressalta, brilha, pesa ou pulsa”. A proposta BrainLatam é transversal: o experimento pode recortar cérebro, coração, comportamento ou linguagem, mas nenhuma dessas janelas, isoladamente, esgota a materialidade multiescalar do Corpo-Território.






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Jackson Cionek

New perspectives in translational control: from neurodegenerative diseases to glioblastoma | Brain States