Jackson Cionek
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Carbono Cidadão e Território Vivo

Carbono Cidadão e Território Vivo

Super El Niño, FESBE 2026, crédito de carbono, DREX Cidadão e soberania climática territorial

Antes de falar de carbono, mercado climático ou crédito financeiro, a gente volta ao território. Temperatura. Água. Fumaça. Solo seco. Cheiro de queimadas. Falta de chuva. Enchente. Produção agrícola. Energia. Corpo cansado pelo calor. Nenhuma economia climática existe fora do corpo-território.

A discussão sobre mudanças climáticas ganha ainda mais urgência diante dos alertas sobre um possível Super El Niño, capaz de intensificar secas, ondas de calor, queimadas, insegurança hídrica e impactos econômicos em diferentes regiões do Brasil. Cientistas brasileiros têm chamado atenção para a necessidade de preparação estrutural e territorial diante desses eventos extremos. (diariodocomercio.com.br)

Na linguagem BrainLatam2026, isso significa algo simples e profundo:

o clima não afeta apenas o planeta. O clima reorganiza interocepção, propriocepção, atenção, segurança, alimentação, sono, economia e pertencimento.

A FESBE 2026 abre espaço para essa conversa ao trazer temas ligados a metabolismo, fisiologia ambiental, neurodesenvolvimento, ritmos biológicos, saúde coletiva, poluição, desigualdade ambiental e mudanças climáticas. Isso permite aproximar clima, território, neurofisiologia e política pública sem abandonar a materialidade científica.

É aqui que entra a ideia de:

Carbono Cidadão

A tese BrainLatam2026 é:

se um território preserva floresta, água, biodiversidade e equilíbrio climático, o benefício econômico do crédito de carbono não pode ficar apenas em fundos financeiros, certificadoras, bancos e especulação global.

O benefício precisa retornar:

  • ao território;

  • ao município;

  • às comunidades;

  • e ao CPF que ajuda a preservar aquele bioma.

Na prática:

se uma região preserva mata atlântica, amazônia, cerrado, manguezal ou sistemas agroflorestais que reduzem emissão ou capturam carbono:

  • o território gera valor climático;

  • esse valor é certificado;

  • e parte dele volta diretamente ao cidadão local.

A ideia central é transformar:

carbono em metabolismo territorial.

Não apenas em ativo financeiro abstrato.

Isso conversa diretamente com:

  • DREX Cidadão;

  • APUS;

  • Tekoha;

  • Jiwasa;

  • pertencimento;

  • soberania climática;

  • Zona 2 coletiva;

  • economia regenerativa.

A própria legislação brasileira já começa a abrir espaço para isso. A Lei nº 15.042/2024 instituiu o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE), criando bases para o mercado regulado de carbono no Brasil. (planalto.gov.br)

Mas a BrainLatam2026 propõe um passo além:

o carbono não pode sair da árvore, virar derivativo financeiro e nunca voltar para quem protegeu o território.

Esse ponto se torna ainda mais importante quando observamos casos recentes de uso fraudulento e financeirização excessiva do tema climático.

Investigações envolvendo o Banco Master levantaram suspeitas sobre operações financeiras associadas a ativos ambientais e estruturas de crédito carbono utilizadas de maneira opaca, altamente alavancada e desconectada da materialidade territorial real. O caso se tornou símbolo do risco de transformar sustentabilidade em mera engenharia financeira, sem transparência ecológica e sem benefício direto às populações locais. (metropoles.com)

Na perspectiva BrainLatam2026, isso revela um problema profundo:

Colonialidade Climática Financeira

O território produz:

  • floresta;

  • biodiversidade;

  • água;

  • estabilidade climática;

  • captura de carbono.

Mas o lucro frequentemente:

  • sobe para fundos;

  • bancos;

  • plataformas globais;

  • estruturas financeiras distantes do bioma real.

Enquanto:

  • o morador local continua pobre;

  • o jovem continua sem perspectiva;

  • a escola continua precária;

  • a cidade continua sem arborização;

  • o corpo continua em Zona 3.

A proposta do Carbono Cidadão é inverter essa lógica.

Um modelo possível:

  1. Território preserva ou regenera;

  2. Carbono é auditado com satélite, IA, sensores e rastreabilidade;

  3. Parte do valor entra no município;

  4. Parte retorna diretamente ao CPF territorial;

  5. Recursos financiam:

    • alimentação;

    • educação;

    • arborização;

    • saúde;

    • internet pública;

    • água;

    • prevenção climática;

    • Zona 2 coletiva.

Aqui, APUS ganha força:
o território deixa de ser cenário e vira variável econômica viva.

Tekoha também:
porque calor extremo, fumaça, seca, enchente, insegurança hídrica e poluição reorganizam:

  • ansiedade;

  • sono;

  • atenção;

  • HRV;

  • respiração;

  • cognição;

  • saúde mental.

A neurociência climática começa exatamente aí:
quando entendemos que mudanças ambientais também modulam estados neurofisiológicos.

Estudos recentes reforçam essa direção. Revisões sobre mudanças climáticas e saúde mental mostram associações entre eventos climáticos extremos e aumento de ansiedade, depressão, estresse pós-traumático e sofrimento psicossocial. (thelancet.com)

Pesquisadores latino-americanos também vêm discutindo:

  • racismo ambiental;

  • ecologia política;

  • corpo-território;

  • colonialidade ecológica;

  • justiça climática;

  • vulnerabilidade social frente às mudanças climáticas.

Isso aproxima diretamente:

  • clima;

  • neurociência;

  • fisiologia;

  • política pública;

  • soberania econômica.

Um desenho experimental BrainLatam2026 poderia investigar:

  • HRV/RMSSD;

  • respiração;

  • EEG;

  • fNIRS;

  • GSR;

  • qualidade do sono;

  • percepção térmica;

  • segurança hídrica;

  • pertencimento territorial;

em populações afetadas por:

  • seca;

  • calor extremo;

  • enchentes;

  • fumaça de queimadas;

  • desmatamento;

  • insegurança alimentar.

A pergunta BrainLatam2026 seria:

como eventos climáticos extremos reorganizam os eus tensionais e a ecologia neuroafetiva coletiva?

O EEG permitiria observar alterações de atenção, fadiga, vigilância e carga cognitiva. O fNIRS poderia investigar atividade pré-frontal associada a estresse climático, tomada de decisão e sobrecarga ambiental em contextos mais ecológicos e territorializados.

No fim, Carbono Cidadão e Território Vivo é uma tentativa de devolver:

  • metabolismo;

  • pertencimento;

  • soberania;

  • e dignidade econômica

para quem realmente sustenta os biomas.

Porque talvez a próxima fronteira da democracia não seja apenas votar.

Talvez seja:

receber pelo território vivo que o corpo ajuda a preservar.


Referências recentes que ratificam este texto

  1. Lei nº 15.042/2024 (Brasil) — institui o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE). (planalto.gov.br)

  2. The Lancet Regional Health – Americas (2024) — mudanças climáticas, migração, insegurança alimentar e impactos psicossociais na América Latina. (thelancet.com)

  3. Cabieses et al. (2024) — revisão sobre clima, migração e saúde na América Latina, destacando vulnerabilidades ambientais e sociais. (frontiersin.org)

  4. Hartinger et al. (2024) — Lancet Countdown Latin America sobre mudanças climáticas e saúde na região. (thelancet.com)

  5. Quiroga & D’Arcangelis (2023) — cuerpo-territorio, feminismos decoloniais e ecologia política latino-americana. (anphlac.emnuvens.com.br)

  6. Gay-Antaki (2025) — cuerpo-territorio e justiça climática decolonial. (rgs-ibg.onlinelibrary.wiley.com)

  7. Metrópoles (2025) — investigação jornalística sobre estruturas financeiras associadas ao Banco Master e operações ligadas a crédito de carbono. (metropoles.com)

  8. INPE (2026) — alertas e projeções sobre impactos climáticos associados ao Super El Niño no Brasil. (gov.br)

 

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